Ciro Gomes sabia de esquema de propina no Ceará, diz revista Veja

O presidenciável Ciro Gomes (PDT) também fez parte de esquema de corrupção no Ceará envolvendo o irmão Cid Gomes (PDT) e aliados: é o que diz reportagem da revista Veja. A publicação traz entrevista com o ex-tesoureiro do Pros, Niomar Calazans, que acusa os irmãos de comprarem por R$ 2 milhões o controle do partido no Estado e operar esquema de extorsão contra empresários. Ciro nega as acusações.


O esquema de corrupção apontado na reportagem já é conhecido no Ceará. Trata-se da delação premiada do empresário Wesley Batista na qual confessa que a JBS fez transferências de doações de campanha para aliados de Cid e Ciro em 2014 em troca de créditos do governo para empresas que atuavam no Ceará. Os valores da propina chegariam a R$ 20 milhões.

Relatório no Tribunal de Contas do Estado (TCE), em 2015, já havia apontado a fraude na concessão de benefícios envolvendo outras empresas.

A novidade é que o ex-tesoureiro do Pros, Niomar, relatou o funcionamento do esquema quando os irmãos Cid e Ciro se filiaram ao partido entre 2013 e 2015. Ele confirma a história de Wesley e diz que o pagamento de propina em troca de crédito aconteceu e era de conhecimento de nomes importantes na política local.

Segundo Calazans, sabiam e participavam do esquema o ex-secretário da Casa Civil e atual secretário do Turismo, Arialdo Pinho; o deputado federal Antonio Balhmann, o chefe de gabinete do governo Cid, Danilo Serpa, e o presidente do Pros, Eurípedes Júnior, além de ''todos os aliados deles que usaram o dinheiro na campanha''.

''No Ceará, um não faz nada sem o outro. Cid Gomes era governador por indicação do Ciro. Quando um está em um partido, o outro também está. Trabalham em conjunto'', disse Calazans. Ele afirma que não tem prova material das acusações, mas tratou de negociações com Ciro. Diz ainda que o dinheiro destinado ao Ceará era tratado pelo próprio candidato a presidente.

Venda do Pros

O ex-tesoureiro também acusa os irmãos de terem pago R$ 2 milhões pelo comando do Pros no Ceará. Na época em que estiveram no partido, a presidência foi dada a Danilo. ''Quem quisesse ter o controle local da sigla precisava pagar'', afirma.

A revista aponta ainda que a empresa do atual marqueteiro de campanha de Ciro, Manoel Canabarro, foi usada como laranja para ocultar propina da JBS S.A. O governador Camilo Santana (PT), candidato à reeleição, é incluído como beneficiário da propina da JBS, com R$ 3 milhões para sua campanha em 2014. Candidatos a deputados federais e estaduais também teriam sido beneficiados em um montante de R$ 6,2 milhões.

Investigações

Por determinação da Justiça, a Polícia Federal abriu inquérito para averiguar pagamento de propina em 2010. Segundo a Veja, no dia 24 de agosto, o procurador Luiz Carlos Oliveira Júnior requereu a abertura de outra investigação para apurar as denúncias de 2014. São alvos Cid, Arialdo e Balhmann.

À revista, Arialdo disse que deve se pronunciar apenas na Justiça. Balhmann confirmou o pedido de dinheiro à JBS, mas disse que foi tudo dentro da lei. Canabarro não quis comentar o caso.

Esquema de propina

A reportagem fez um cruzamento de dados entre valores doados por empresas e dinheiro público recebido por elas em época de campanha. As suspeitas sobre as transações já haviam sido levantadas pela conselheira do TCE, Soraia Victor, em 2015.

No relatório, a conselheira aponta que, em 2014, a concessão de empréstimo para o programa Gestão do FDI chegou a R$ 259.865.646,04 milhões. ''Em torno de 250% maior que o empréstimo concedido pelo Estado no exercício anterior, no valor de R$ 74.629.341,98 milhões'', escreveu.

''Quando dei esse voto, sequer havia discussão sobre JBS. Me chamou atenção que no ano anterior (às eleições) pouco havia sido pago para o FDI e, especificamente no ano eleitoral, havia um repasse muito grande. Fiz a ligação com os grandes doadores de campanha e verifiquei que todos estavam ali'', disse ao Boas Escolhas, na última segunda-feira (3).

A maior parte dos recursos, R$ 252 milhões, foi repassada a cinco empresas, conforme o voto da conselheira. Dentre elas, a Cascavel Couros LTDA que, em 2013, recebeu R$ 12 milhões, mas, no ano seguinte, deteve o maior montante, R$ 97 milhões. Outras empresas beneficiadas foram Grendene e Paquetá Calçados, duas grandes doadoras da campanha de Camilo Santana em 2014.

A conselheira lamenta que, desde a época, não houve resposta aos apontamentos nem novos processos sobre o caso.

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