Candidato à presidência, João Amoêdo é considerado o ''Donald Trump brasileiro''


João Amoêdo, candidato à presidência da república pelo NOVO, chocou os eleitores brasileiros ao declarar patrimônio de R$ 425 milhões – metade aplicado em renda fixa. Nesta semana, após questionamentos sobre sua carreira e até sua lucidez, por expor valores tão altos, apareceu em um vídeo comentando como chegou a ter tal quantia em bens e aplicações.


Diferentemente de uma parcela dos eleitores, Amoêdo considera ''favorável'' a diferença patrimonial que ostenta frente aos demais candidatos. ''Trabalhei na iniciativa privada a vida toda'', diz. ''A gente vê pessoas que entraram para a política e da política saíram ricos. Eu estou fazendo o movimento contrário: comecei do zero como trainee em um banco, trabalhei bastante e construí esse patrimônio'', complementa.

O candidato acrescentou, ainda, que agora pretende devolver um pouco disso ao país: ''tenho dedicado os últimos 8 anos da minha vida ao NOVO e pagando tudo isso do meu próprio bolso''. Em 2016, o Valor Econômico noticiou que Amoêdo desembolsou R$ 4,5 milhões para viabilizar o partido.

Neste vídeo, Amoêdo menciona rapidamente que iniciou a carreira como trainee de um banco. No site oficial da candidatura, o partido descreve com um pouco mais de detalhes esta trajetória.


Após completar as graduações de Engenharia Civil na UFRJ e Administração de Empresas na PUC-Rio, o então jovem profissional ingressou no programa de Trainee do Citibank, dentro do qual foi promovido a gerente 3 anos depois, aos 25. De partida, vale lembrar que grandes bancos tendem a pagar bônus de produtividade a seus funcionários, além do salário – e que estes valores crescem exponencialmente conforme a hierarquia.

Logo no ano seguinte, ingressou no BBA. Um tempo depois, tornou-se Diretor Executivo, e em 1999 assumiu a gestão da Fináustria, financeira do banco. O site do candidato credita à sua gestão a transformação da empresa, então deficitária, em uma operação lucrativa.

Como se sabe, a Fináustria foi comprada em 2002 por 3 vezes seu valor patrimonial (R$ 650 milhões) dentro do negócio de R$ 3,3 bilhões que transformou o BBA em uma empresa do Itaú. Neste negócio, é razoável intuir que Amoêdo fosse acionista relevante da empresa que presidia e tenha levantado parte importante de sua fortuna inicial.


Ainda segundo o site da candidatura, Amoêdo foi convidado a assumir a vice-presidência do Unibanco em 2004 e, um ano depois, deixou este cargo para se tornar membro do Conselho de Administração. No fim de 2008 foi que o Itaú e o Unibanco anunciaram a fusão que criaria o maior banco do hemisfério sul. ''Em 2009, passou a fazer parte do conselho de administração do Itaú-BBA, cargo que ocupou até 2015'', complementa o site do candidato. Ele também foi membro do conselho de administração da empresa João Fortes Engenharia.

Devido sua entrada quase súbita na política e seu generoso patrimônio, Amoêdo vem sendo chamado de o ''verdadeiro Donald Trump brasileiro''.


Autor/Editor-chefe: Leandro Antunes