Remédio experimental contra Alzheimer falha em ensaio clínico

Remédio experimental contra Alzheimer falha em ensaio clínico


Um medicamento experimental para combater a doença de Alzheimer chamado Solanezumab falhou em um grande ensaio clínico, disse a gigante farmacêutica americana Eli Lilly, enquanto especialistas consideraram os resultados ''decepcionantes''.


''O Solanezumab não cumpriu o objetivo primário no ensaio clínico EXPEDITION 3, um estudo de fase 3 em pessoas com demência leve devido à doença de Alzheimer'', disse uma declaração.

As pessoas tratadas com o fármaco ''não experimentaram uma desaceleração estatisticamente significativa do declínio cognitivo em comparação com os doentes tratados com placebo''.

A Eli Lilly disse que vai abandonar as tentativas de obter aprovação regulatória para o Solanezumab, um anticorpo injetável, como um tratamento para a demência leve.

''Os resultados do ensaio com o Solanezumab EXPEDITION 3 não foram o que esperávamos e estamos desapontados pelas milhões de pessoas à espera de um tratamento potencialmente modificador da doença de Alzheimer'', disse John Lechleiter, diretor-executivo da empresa.

Em julho, a Eli Lilly disse que os resultados intermediários dos testes com o fármaco eram ''promissores''.

''Depois de notícias positivas no último verão, tínhamos grandes esperanças de que esta droga se tornasse a primeira a retardar a doença de Alzheimer'', disse Jeremy Hughes, diretor-executivo da Sociedade de Alzheimer.

''É extremamente decepcionante saber que este fármaco não ofereceu uma mudança significativa para as pessoas que vivem com demência, quando a necessidade é claramente tão grande''.

David Reynolds, do Instituto de pesquisa britânico Alzheimer’s Research, disse que já se passaram quase 15 anos desde que uma droga para a doença de Alzheimer chegou ao mercado.

''Infelizmente, mais de 99% dos ensaios clínicos para novas drogas de Alzheimer falharam desde então'', escreveu Reynolds em um post de blog.

''Para terem sucesso em ensaios clínicos, novas drogas contra o Alzheimer precisam mostrar benefícios para a memória e o pensamento que superem qualquer efeito de um placebo'', acrescentou.

''Infelizmente, até agora nenhuma droga superou este obstáculo, e a Solanezumab também ficou aquém''.

Nenhum dos tratamentos disponíveis no mercado é capaz de estacionar a demência.

A Organização Mundial da Saúde diz que 36 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de demência. O número de casos deve chegar a mais de 65 milhões em 2030, e triplicar para 115 milhões em 2050.