João Doria já exaltou Donald Trump, mas diz que apoiaria Hillary Clinton

João Doria já exaltou Donald Trump, mas diz que apoiaria Hillary Clinton


"Você vai assistir a um show de competência. De ousadia. De talento. De sucesso."

Assim o apresentador João Doria Jr. anunciou seu programa na TV Bandeirantes em 11 de dezembro de 1988.

Naquela noite, ele levou ao ar uma entrevista com o bilionário americano Donald Trump. A descrição do convidado tinha tudo a ver com a imagem que Doria busca projetar de si mesmo: "Um homem rico, famoso, poderoso e muito, muito invejado".

Uma foto do encontro decora o escritório do prefeito eleito de São Paulo. No retrato, ele e Trump seguram um quadro que reproduz um mar de arranha-céus, com o nome do bilionário no topo.


Quase 28 anos depois, Doria tenta se esquivar de comparações com o candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos.

Os dois apostam num discurso comum para seduzir o eleitor: são empresários, e não políticos tradicionais.

As semelhanças vão além disso. Doria já apresentou a versão brasileira do reality show "O Aprendiz", estrelado por Trump na rede NBC.

Na atração, os dois encarnaram o mesmo personagem: um patrão rigoroso que distribuía broncas e dispensava os participantes com o bordão "Você está demitido".

Fora da TV, Doria diz não se identificar em nada com o estilo de Trump. O bilionário tem atraído críticas pelo estilo arrogante e pelas ofensas a mulheres e imigrantes.

"Se eu morasse na América, votaria na Hillary", afirma o prefeito eleito.

Na campanha paulistana, Doria adotou um tom bem mais humilde. Nos debates, repetiu o chavão "respeito sua trajetória" para atenuar cada crítica aos adversários.