8 Tipos de chatos que habitam as plateias de apresentações

8 Tipos de chatos que habitam as plateias de apresentações


O primeiro passo na construção de uma apresentação é entender quem é a sua audiência. Parece óbvio? Mas tem gente que se esquece desse (grande) detalhe, segundo Rogério Chequer, sócio da State Of the Art Presentations.

''Muitas pessoas fazem apresentações em que falam para elas mesmas'', diz. ''Também acham que saber os cargos das pessoas para quem vão fazer a apresentação já é suficiente, mas não é''.

Ele e Eduardo Adas, também sócio da State Of the Art Presentations, sugerem que o apresentador faça um raio-x do perfil da plateia. Quem é o público-alvo? Além da idade, gênero, cargo, quais são seus valores e quais as suas objeções?

Tudo isso deve ser levado em conta na hora de alinhar o conteúdo e construir o discurso, que, lembre-se, deve ser voltado, sempre, para a plateia (e não para você mesmo).

Ok, mas feito isso, o apresentador está livre de encarar os chatos e ''cricris'' da plateia? Não, dizem Chequer e Adas. Ao mostrar que conhece seu público você quebra algumas barreiras e cria empatia, mas não se livra dos chatos.

''Muito da plateia o apresentador vai aprender durante o encontro'', diz Chequer. E para quais tipos de pessoas o apresentador deve se preparar para encarar? Veja a seguir os principais tipos de chatos e as estratégias para lidar (bem) com eles.


Confira também: Saber falar em público é essencial


1. O pessimista

Como ele age: considera que o discurso do apresentador não serve para ele e também não se aplica à realidade.

O que fazer: empatia é a palavra-chave para interagir com o pessimista. É mostrar que o entende. ''O que não significa concordar com ele'', diz Adas.

Além disso, o especialista recomenda ir direto ao ponto. Comece a apresentação fazendo perguntas para investigar as crenças da plateia. Em seguida, traga a sua visão sobre o tema, deixando claro que respeita as crenças e valores do seu público.


2. O sem expressão

Como ele age: faz cara de paisagem e não esboça nenhuma reação.

O que fazer: quem vê cara não vê coração, diz o ditado. Portanto, não conclua, de antemão, que a apresentação não agrada. A recomendação dos dois especialistas é ter cuidado com suas suposições. ''O apresentador tende a se afetar negativamente, mas cada pessoa tem uma forma de reagir e de prestar atenção'', diz Chequer.

Fazer uma pergunta para essa pessoa pode ser uma estratégia para tentar engajá-la. Chequer também sugere mudar o ritmo da apresentação, o tom de voz, como forma de testar se há mudança na reação.


3. O sabichão

Como ele age: coloca o apresentador à prova o tempo todo, seu comportamento é desafiador, o que é bem chato. Pode ser um risco para a atenção dos outros.

O que fazer: ''ao identificar este perfil, minha recomendação é fazer a apresentação o mais breve possível e dizer que ao final dela será aberto um momento para perguntas'', diz Adas.

De acordo com ele, é uma forma de tentar inibir interrupções, embora não elimine esta possibilidade por completo. Ao ser interrompido, seja assertivo. ''Diga que o tema sai da linha e que é preciso voltar ao trilho principal'', diz Chequer.


4. O questionador

Como ele age: faz muitas perguntas, algumas em hora errada. Há os que perguntam ''para mostrar serviço'' e aqueles que, naturalmente, são cheios de dúvidas.

O que fazer: Novamente, a recomendação é explicar que ao final da apresentação haverá espaço para perguntas. Quando as dúvidas são genuínas é mais fácil de lidar e controlar o tempo da sua resposta. Tantas perguntas, diz Adas, trazem até vantagem para o apresentador. ''É uma pessoa mais transparente, dá para saber o que se passa na cabeça dela'', diz o especialista.


5. O colegial

Como ele age: conversa com colegas o tempo todo atrapalhando a concentração dos outros e do apresentador.

O que fazer: Dispersão do público pode ser um sinal de que a apresentação não está no rumo certo. Por isso, é sempre bom fugir da rigidez e ter sempre um plano B de roteiro na manga, segundo os dois especialistas.

De acordo com Adas, uma boa apresentação deve ter um conteúdo relevante aliado a uma história impactante. Por isso, se a dispersão é geral entre o público-alvo, aposte em mudanças no roteiro porque, claramente, algo não vai bem e a culpa pode ser sua. Caso sejam conversas de pessoas não envolvidas diretamente com a palestra, a saída é pedir, elegantemente, por silêncio.


6. O orientador

Como ele age: diz o que o apresentador deve fazer todo o tempo. É um tipo raro, mas pode aparecer, sobretudo, na figura do responsável pela organização da apresentação.

O que fazer: Uma reunião de alinhamento antes da apresentação é essencial para evitar problemas e deixar o organizador mais tranquilo.

Segundo Chequer, dar destaque ao trabalho de preparação realizado por esta pessoa também pode ajudar, se a questão estiver mais relacionada à necessidade de atenção.


7. O que não desliga nunca

Como ele age: não desgruda os olhos da tela do smartphone ou tablet, checa e-mails e atualiza status em redes sociais.

O que fazer: ''Eu mudei minha opinião com o tempo. Hoje em dia pedir para desligar celular não é mais real'', diz Adas. Os dois especialistas lembram que se a apresentação for relevante e com uma boa história vai, naturalmente, prender a atenção do público durante a maior parte do tempo.


8. O soneca

Como ele age: Boceja, pisca longamente, demonstrando seu cansaço e sono.

O que fazer: Em plateias grandes é natural que haja pessoas cansadas, afirmam Adas e Chequer. Caso seja uma minoria, não se deixe influenciar negativamente. Mas se o número de pessoas visivelmente com sono for grande, a luz vermelha acende para a sua apresentação. Pode ser a hora certa para lançar mão de estratégias para atrair a atenção e engajar a audiência.