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EUA lançam ataque com mais de 50 mísseis contra base aérea do governo sírio

EUA lançam ataque com mais de 50 mísseis contra base aérea do governo sírio


Atualizado em abril de 2017


Os Estados Unidos atacaram nesta quinta-feira (6) uma base aérea do governo sírio. A ofensiva aérea, com mais de 50 mísseis lançados em cerca de um minuto, foi realizada em retaliação ao ataque com armas químicas realizado contra civis nesta semana pelo presidente Bashar al-Assad.

Este foi o primeiro ataque dos EUA diretamente contra o governo de Assad, e é a mais dramática ordem militar de Donald J. Trump desde que se tornou presidente, em janeiro. A TV estatal em Damasco qualificou o ataque de "agressão americana contra alvos militares sírios com diversos mísseis".


O alvo foi a base de Shayrat, na cidade síria de Homs, de onde teriam partido os aviões usados para o ataque com gás sarin, que matou 86 pessoas. No ataque dos EUA, teriam sido atingidos aviões, depósitos de combustível e partes da pista de pouso e decolagem. Os mísseis Tomahawk, de médio alcance e invisíveis a radares, foram disparados de dois navios de guerra americanos posicionados no Mar Mediterrâneo.

Após o ataque, Trump afirmou que o ataque contra a Síria foi um "ataque vital de segurança nacional". Ao destacar que o presidente sírio atacou com gás neurotóxico "homens, mulheres e crianças indefesos", Trump disse que "todos os países civilizados deveriam contribuir para o fim do conflito sírio" e "acabar com o massacre e derramamento de sangue na Síria".

O ataque de surpresa marcou uma inversão na estratégia americana adotada para o conflito no país, em guerra civil desde 2011, e ocorreu enquanto Trump estava reunido com o presidente chinês, Xi Jinping, tratando de um outro tema crucial para a segurança dos EUA: o programa nuclear norte-coreano. As ações de Trump na Síria poderiam ser um sinal para a China de que o novo presidente não tem medo de tomar decisões militares unilaterais, até mesmo se países-membros do Conselho de Segurança da ONU, como a China, se colocarem contra um eventual ataque.

A ofensiva não foi anunciada com antecedência, apesar de Trump e outros oficiais militares terem elevado o tom contra Assad nesta quinta.

Impasse no Conselho de Segurança da ONU

Horas antes do ataque, o Conselho de Segurança da ONU não conseguiu obter um acordo sobre uma declaração envolvendo o ataque com armas químicas, enquanto circulavam informações sobre um eventual bombardeio americano à Síria. No final da reunião, o embaixador da Rússia, Vladimir Safronkov, advertiu para os riscos de um ataque americano à Síria. "Se ocorrer uma ação militar, toda a responsabilidade recairá sobre os que iniciaram uma empresa tão trágica e duvidosa", disse o diplomata russo na saída da reunião.

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, tinha prometido "uma resposta apropriada às violações de todas as resoluções prévias da ONU e das normas internacionais". "O papel de Assad no futuro é incerto com os atos que cometeu. Parece que não deve desempenhar qualquer papel para governar o povo sírio", declarou Tillerson ao receber na Flórida o presidente chinês, Jinping.

A representante americana no órgão, Nikki Haley, já tinha advertido durante o dia de ontem que seu país poderia tomar algum tipo de medida unilateral se o bloqueio na ONU persistisse.

Esta é a primeira ordem militar de Trump para fazer uso da força desde que chegou à Casa Branca, já que outras operações na Síria, Iêmen e Iraque foram realizadas sob autorização delegada a seus comandantes.