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EUA ameaçam agir por conta própria caso ONU não atue contra 'ataque químico' da Síria

EUA ameaçam agir por conta própria caso ONU não atue contra 'ataque químico' da Síria


Atualizado em abril de 2017


* Na imagem, homem segura dois filhos mortos após suposto 'ataque químico' na Síria

A embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, condenou os governos da Rússia e da Síria nesta quarta-feira (5) por causa do ataque com armas químicas contra civis em território sírio no dia anterior e sinalizou que os EUA estão dispostos a agir de modo independente.

"Quando a ONU falha em seu dever de agir conjuntamente, há momentos na vida dos Estados em que somos compelidos a tomar nossas próprias ações", afirmou Haley. "Pelo bem das vítimas, espero que o resto do conselho [de Segurança da ONU] esteja disposto a fazer o mesmo".

As declarações foram feitas no momento em que o Conselho de Segurança da ONU considera uma resolução condenando o regime de Bashar al Assad pelo ataque, que matou 72 pessoas, incluindo muitas crianças.

A Rússia, que é aliada do regime sírio e tem tropas no país, deve vetar a resolução.
"Quantas crianças mais devem morrer para que a Rússia se importe?", questionou Haley.

Donald J. Trump, falando na Casa Branca durante a visita do rei Abdullah II da Jordânia, afirmou: "nós vimos o que aconteceu ontem na Síria. Horrível, uma coisa horrível. Indizível".

A resolução proposta no Conselho de Segurança da ONU sobre o ataque com armas químicas na Síria é "inaceitável" para a Rússia, disse uma porta-voz do Ministério de Relações Exteriores russo.

"O texto apresentado é categoricamente inaceitável. Seu defeito está em antecipar os resultados da investigação e repentinamente apontar culpados", declarou Maria Zakharova, em entrevista coletiva.

Estados Unidos, França e Reino Unido apresentaram o esboço de um comunicado no Conselho de Segurança da ONU condenado o ataque e cobrando uma investigação. A Rússia tem o poder de vetá-lo, como tem feito em todas as resoluções anteriores contrárias ao regime Assad.

A diplomata afirmou que o projeto tem "um claro caráter anti-sírio" e ressaltou que "seu objetivo é dificultar e fazer praticamente impossível avançar no processo de negociação" para a resolução do conflito no país árabe. "O projeto foi preparado o mais rápido possível. Se caracteriza por sua negligência. Colocar no Conselho de Segurança da ONU esse texto é simplesmente indecente", disse.