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Motorista de ônibus perde 96 quilos caminhando 2h30 por dia

Motorista de ônibus perde 96 quilos caminhando 2h30 por dia


Atualizado em fevereiro de 2017


O motorista Gilberto Domingos de Souza, 38, mudou de vida ao emagrecer 96 quilos, em um ano e seis meses. Depois de quebrar quatro cadeiras de ônibus enquanto dirigia, ele resolveu dar um basta na obesidade quando corria o risco de não conseguir renovar sua carta de motorista. Hoje, Gilberto caminha todos os dias até o trabalho – até nos dias de chuva – e conta como venceu a obesidade, superou o bullying e usou a determinação para conseguir emagrecer.


Em depoimento ao Cultura Coletiva, ele conta como foi o processo:

Sempre fui magro, mas a partir dos 25 anos comecei a engordar. Aos 35 anos, já estava muito acima do peso. Um dia fui me pesar e a balança apontou 176 quilos. Passei a fugir da balança, pois não tinha mais coragem. As roupas não cabiam mais e conviver com a obesidade foi muito difícil.

No trabalho, quebrei quatro bancos de carro. Já precisaram mudar o carro que eu ia trabalhar, por eu não caber no banco do ônibus. Fora que eu não conseguia nem passar na catraca. Precisava mandar fazer minhas roupas, até meu uniforme, pois não encontrava nada do meu tamanho. Ia no shopping vez ou outra ver vitrine e não tinha prazer nenhum de comprar roupa, nada cabia direito. A gente perde até um pouco o gosto de viver para falar a verdade.

Fora o preconceito. Muita gente ficava me olhando diferente. Tinha passageiro que entrava no ônibus já olhando, às vezes um ficava comentando com o outro. Você percebe, mas faz vistas grossas.

Resolvi emagrecer quando chegou a hora de renovar a minha habilitação. Quase não consegui por conta da obesidade, o tempo do exame médico caiu para dois anos. Até a de idoso é um tempo maior [três anos]. Se eu não emagrecesse, podia perder a carta de categoria D para B, não poderia mais exercer minha profissão de motorista.

Bateu aquele desespero. Quem sou eu sem minha habilitação? É minha ferramenta de trabalho, sem ela não sou ninguém. Passei em um médico que disse que eu precisava tomar uma atitude: fazer atividade física e fechar a boca.

Comecei a dieta. No começo, andava 10 minutos e já tinha que descansar as pernas. Meu peso não me deixava caminhar muito. No primeiro mês, emagreci 12 quilos. A balança caiu de 176 para 164, já me deu uma animada. Com o passar do tempo, a caminhada foi aumentando progressivamente, 15 minutos, 20, meia hora. E percebi que fui perdendo peso mais rápido. Teve mês que cheguei a perder 14 quilos.

Só consegui porque peguei firme mesmo. Segui a dieta rígida e me mantive bem focado. Hoje, ando da garagem da Transwolff [onde trabalho] até minha casa no Jardim Sete de Setembro todo dia. [Segundo o Google Maps, a distância é mais de 12 km]. Ando de duas horas e meia a três horas por dia, todos os dias: de domingo a domingo. Não tem essa de fim de semana ou feriado. Pode até estar chovendo, pego meu guarda-chuva e vou trabalhar.

Antes não fazia atividade física. Jogava bola quando era mais jovem e só. Hoje, peguei gosto pelo exercício, não faço mais por necessidade, mas sim por gostar. Não fico um dia sem caminhar. Sou a prova de que quem quer, consegue. Muitas vezes quem tem obesidade fica constrangido de entrar na academia. Quando comecei a caminhar, ia para uma mata fechada perto de casa, pois tinha vergonha. As pessoas passavam olhando com cara de 'tá precisando mesmo'. Ninguém motiva, só tira sarro, infelizmente.

Os médicos que eu ia também não me motivavam, não tive acompanhamento nenhum. Foi uma iniciativa da minha esposa de me ajudar. Começamos a ler muito sobre dieta e alimentação saudável para fazer o regime. Só fui em um médico depois de uns meses, pois como tinha emagrecido muito rápido, queria saber se estava tudo bem com a saúde e tudo ficou melhor, até a pressão.

Parar de comer as coisas que gostava foi muito difícil, mas a balança foi a minha motivação. Era viciado em doce. Depois do almoço, comia três. Também amava refrigerante. Tomava dois litros, só no almoço e, se tivesse calor, chegava a tomar seis. Abri mão de tudo. Troquei o refrigerante pela água, hoje bebo mais dois de litros.

Sou de família nordestina, então, sempre comi alimentos gordurosos. Amava contrafilé só para comer a gordura. Hoje, passo longe e mudei tudo na minha vida. Nunca tinha comido legumes e foi complicado inserir na alimentação. Agora como chuchu, couve-flor, espinafre e berinjela. Não posso dizer que sou fã, mas como por que sei a importância para saúde.

Sofri muito bom o bullying, então, sempre fico alerta. Não aceito voltar ao que eu era. Por isso, é muito difícil me ver quebrando a dieta. Quando tenho alguma festa, mantenho o cardápio e me controlo. Sou muito determinado, quando quero uma coisa, vou até o fim. Em casa sempre tem refrigerante, por exemplo, mas eu nem chego perto.