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Com volta de PMs às ruas, número de homicídios cai no Espírito Santo

Com volta de PMs às ruas, número de homicídios cai no Espírito Santo


Atualizado em fevereiro de 2017


O número de homicídios no Espírito Santo caiu após a volta parcial dos policiais militares às ruas, iniciada no sábado (11). A expectativa é de que a situação na Grande Vitória se aproxime da normalidade a partir desta segunda-feira (13), quando as aulas serão retomadas, o transporte público e os postos de saúde voltarão a funcionar e o comércio deve abrir as portas. Em Brasília, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disse que o motim está em "declínio" e "a ordem e a segurança pública estão de volta".


Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo, 1.236 policiais voltaram ao trabalho no fim de semana, o que representa 12% do total de PMs da ativa. O retorno dos PMs e a atuação de mais de 3 mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança coincide com a queda de homicídios no Estado.

No domingo (12), o Sindicato dos Policiais Civis (Sindipol) apurou a ocorrência de quatro mortes – o menor número desde o início do motim –, totalizando 144 ao longo dos nove dias. No sábado (12), esse número havia sido três vezes maior.

A volta de uma parte dos policiais ao trabalho contou até mesmo com o uso de helicópteros das Forças Armadas e da própria Polícia Militar (PM). Soldados lotados no Batalhão de Missões Especiais (BME) se apresentaram na Capitania dos Portos de Vitória e foram transportados em helicópteros para a sede do batalhão, que fica junto ao Quartel Central da PM.

Mulheres que participam do movimento que paralisou a Polícia Militar acompanharam as chegadas e saídas das aeronaves no quartel à distância, junto aos muros. Elas aplaudiam os policiais e gritavam palavras de apoio. Alguns dos PMs se emocionavam.

Movimento continua

Mesmo com o retorno gradual dos policiais às ruas, o movimento que paralisou a polícia militar continua "firme e forte", de acordo com as mulheres. Elas insistem nas reivindicações que levaram ao motim, como o reajuste salarial de 43% referente a perdas nos últimos seis anos. As mulheres também afirmam ser "inegociável" a anistia total a todos os PMs e às próprias mulheres.

Na sexta-feira, a Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo informou que abriu processo por crime de revolta contra 703 policiais, cuja pena pode chegar a 20 anos de prisão. A Procuradoria-Geral da República estuda federalizar o crime de motim e o Ministério Público Federal pode ingressar com uma ação para cobrar das mulheres os custos de envio de tropas nacionais ao Espírito Santo.

A porta-voz das representantes dos PMs do 6.º Batalhão, que se apresentou apenas como Cristina, disse ao jornal "O Estado de S. Paulo" que as lideranças querem se encontrar com o governador Paulo Hartung e com o procurador-geral, Rodrigo Janot, para tentar colocar fim ao movimento.

"Queremos fazer com o governador o que ele tem falado por esses dias, conversar olhando no branco do olho", afirmou. Elas querem que Janot também participe do evento. "Ele veio ao Espírito Santo ontem [sábado, 11] e não tivemos a chance de conversar com ele".

Cristina disse que as negociações realizadas até o momento com o governo foram "táticas de guerrilha" e que expõem somente um dos lados. "Jogaram a sociedade contra a gente. As pessoas passam na frente dos batalhões e nos xingam. É triste saber que não estão nos apoiando. Mas se ponham no lugar dos soldados: eles precisam revezar coletes à prova de balas, que muitas vezes estão com prazo de validade vencido, estão com viaturas sucateadas. É desse jeito que a PM tem que proteger a sociedade", desabafou.

Depois de uma reunião com o presidente Michel Temer e três ministros no Palácio do Jaburu, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, reconheceu no domingo, 12, que o motim da Polícia Militar no Espírito Santo trouxe um desgaste para a imagem do País porque, de fato, há uma "situação de intranquilidade da população".