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Se a Lua gira, por que vemos apenas uma de suas faces?

Se a Lua gira, por que vemos apenas uma de suas faces?


Se você é um admirador da Lua, já deve ter reparado que daqui da Terra é possível ver apenas uma de suas faces, independentemente da época do mês. Isso acaba dando a sensação de que o astro é estático, quando na verdade ele gira em torno de si mesmo continuamente.


O tempo que a Lua demora para dar essa volta completa é de 29,5 dias, um período conhecido como mês lunar.

Mas, então, por que vemos apenas um de seus lados?

Porque existe uma sincronia entre o tempo que ela leva para dar a volta em si mesma (sua rotação) e o tempo necessário para dar uma volta completa ao redor da Terra, movimento chamado de translação. Essa perfeita sintonia acaba deixando apenas um de seus lados visíveis para nós.

Quer comprovar? Faça o seguinte teste: enquanto você gira em torno de si mesmo, peça a um amigo para fazer o papel da Lua e repetir os movimentos do satélite. Uma vez em que a sincronia esteja estabelecida, seu colega jamais te dará as costas. Muito pelo contrário, vocês ficarão sempre de frente um para o outro.


Essa sincronia perfeita entre Lua e Terra só é possível pela ação da energia gravitacional entre eles e, especialmente, pelas forças da maré dos oceanos. Segundo o astrônomo Rundsthein de Nader, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), há muitos milhões de anos a Lua era bem mais próxima da Terra. Conforme ela foi se afastando, a troca de energias com o nosso planeta foi se acomodando e o resultado foi essa sincronia entre os períodos de rotação e de translação.

Apesar de também ser conhecida como lado escuro, a face oculta da Lua é bastante iluminada. Ironicamente, ela passa mais tempo recebendo luz solar do que aquela vista por nós porque não tem eclipses.

"A sombra da Terra projetada na Lua, que caracteriza os eclipses lunares, cai sempre no lado voltado para nós", explica o astrônomo Roberto Costa, professor do Departamento de Astronomia da USP.

O lado distante, como também é conhecido, foi fotografado na década de 1960 por satélites dos Estados Unidos e da União Soviética. Seu terreno tem algumas diferenças geológicas. É nessa face que se encontra a maior quantidade de crateras, formadas pelo impacto com asteroides, já que é a parte que fica mais exposta. O lado visível tem terreno predominante de marés e de regiões montanhosas.

Como na Lua não existe atmosfera, ventos ou chuvas, não há erosão e todas as marcas de impactos passados continuam visíveis e inalteradas. Recentemente, a sonda Lunar Reconnaissance Orbiter fez um mapeamento detalhado de toda a superfície.