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Polícia Federal pede ajuda à Interpol para localizar Eike Batista

Polícia Federal pede ajuda à Interpol para localizar Eike Batista


Atualizado em janeiro de 2017


A Polícia Federal brasileira fez contato com a Interpol nesta quinta-feira (26) a fim de identificar se o empresário Eike Batista está em território americano desde a manhã de quarta (25).


Eike é alvo de um dos nove mandados de prisão preventiva expedidos pela 7ª Vara da Justiça Criminal do Rio por conta da Operação Eficiência, segunda fase da Operação Calicute – braço da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro.

O empresário é acusado de pagar US$ 16,5 milhões (cerca de R$ 50 milhões, em valores atualizados) ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), preso por conta da Calicute e com mandado de prisão também na Eficiência.

A reportagem ligou para o celular do advogado de Eike, mas não conseguiu o contato. À "GloboNews", ele afirmou que Eike se entregará quando voltar ao país. A assessoria de comunicação do Grupo EBX, de Eike, ainda não foi localizada.

De acordo com o delegado Tacio Muzzi, a PF fluminense recebeu a informação de que Eike teria viajado a Nova York na noite da última terça (24) no voo 974 da American Airlines. Existe a suspeita de que ele tenha usado um passaporte alemão. A companhia aérea informou, por meio da assessoria de imprensa, que não fornece informações sobre passageiros.

"Na madrugada de hoje chegou a informação de que ele poderia ter saído para fora do país na data do dia 24 à noite. Levantou-se na primeira hora de hoje a possibilidade de uma reserva da American Airlines no voo 974 – a PF está em pleno contato com a Interpol para saber se ele efetivamente chegou a Nova York", disse.

O delegado informou que o nome de Eike poderá ser incluído na difusão vermelha da Interpol – índex dos mais procurados em todo o mundo. O delegado disse que "não se pode afirmar categoricamente que Eike teve intenção de fugir do país".

O delegado afirmou que, apesar de a PF ainda não trabalhar com a hipótese de vazamento da operação – já que Eike pode ter viajado pouco mais de 24 horas antes da deflagração –, isso pode ser investigado.

Como há chance de o empresário se apresentar espontaneamente, segundo conversas do delegado com o advogado de Eike, ele ainda não é considerado foragido. "O advogado dele informou, durante a busca, a disposição de apresentá-lo", resumiu o delegado.

O empresário não tem curso superior; com isso, o destino dele no sistema carcerário estadual só será definido após a apresentação às autoridades brasileiras.

Operação foi deflagrada hoje cedo

Os policiais chegaram à casa do empresário, localizada no Jardim Botânico, zona sul, por volta das 6h. Contra ele também está sendo cumprido mandado de busca e apreensão.

Entre os alvos de mandado de prisão estão Cabral, seu ex-assessor Carlos Miranda e o ex-secretário de governo Wilson Carlos. Os três já estão presos desde a Operação Calicute, realizada novembro do ano passado.

Segundo o juiz, a prisão dos três foi decretada mais uma vez porque apareceram fatos novos na investigação: "aparentemente estariam em curso condutas ilícitas ainda não apuradas, de lavagem e ocultação de ativos em nome de terceiros, e por isso não consideradas na decisão anterior que determinou as prisões preventivas destes acusados, o que igualmente sugere, também por esse motivo, a necessidade de novo decreto de prisão complementar, que acolho".

Hoje foi preso o advogado Flávio Godinho, ex-braço direito de Eike e vice-presidente do Flamengo. Assim como o empresário, Godinho também é "investigado por corrupção ativa com o uso de contrato fictício", segundo o Ministério Público Federal (MPF). O advogado já tinha sido alvo de condução coercitiva na 34ª fase da Operação Lava Jato, em setembro de 2016.

Eike, Godinho e Cabral também são suspeitos de terem cometido atos de obstrução da investigação porque, em uma busca e apreensão em endereço vinculado ao empresário em 2015, foram apreendidos extratos que comprovavam a transferência dos valores ilícitos de uma conta no Panamá para a empresa Arcadia Associados, segundo o MPF. Na transação, teriam sido pagos por Eike e Godinho US$ 16,5 milhões em propina para o ex-governador.

"Esse valor foi solicitado por Cabral a Eike no ano de 2010 e, para dar aparência de legalidade à operação, foi realizado, em 2011, um contrato de fachada entre a empresa Centennial Asset Mining Fuind Llc, holding de Batista, e a empresa Arcadia, por uma falsa intermediação na compra e venda de uma mina de ouro", segundo a força-tarefa da Calicute.

O trio teria orientado os donos da Arcadia a manterem perante as autoridades a versão de que o contrato de intermediação seria verdadeiro. Segundo o MPF, a empresa recebeu os valores ilícitos numa conta no Uruguai em nome de terceiros, mas à disposição de Cabral.

"De maneira sofisticada e reiterada, Eike Batista utiliza a simulação de negócios jurídicos para o pagamento e posterior ocultação de valores ilícitos, o que comprova a necessidade da sua prisão para a garantia da ordem pública", dizem, em nota, os procuradores da Calicute.

De acordo com a Procuradoria, "quatro membros da organização" também são alvos de mandado de prisão: Álvaro Novis, Sérgio de Castro Oliveira, Thiago Aragão e Francisco Assis Neto.

O doleiro Álvaro Novis, sócio da corretora Hoya, foi mencionado pelos colaboradores como sendo a pessoa responsável por creditar vultosas quantias em dinheiro em espécie na conta do acusado de Cabral. Ele fez 33 ligações para Carlos Miranda, ex-assessor do ex-governador, entre janeiro e setembro de 2014. Novis teria pago R$ 12,2 milhões, segundo o despacho do juiz Bretas.


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