+A +/- -A

10 motivos pelos quais o mundo sentirá saudades de Barack Obama

10 motivos pelos quais o mundo sentirá saudades de Barack Obama


Atualizado em janeiro de 2017


Faltam apenas duas semanas para Donald J. Trump ser empossado presidente dos Estados Unidos. Isso também quer dizer que o tempo restante para o atual ocupante do cargo, Barack Obama, é curto, e antes mesmo da despedida dele já tem gente sofrendo antecipadamente pela falta que ele fará. Os motivos são vários: à parte o fato histórico de que Obama foi o primeiro presidente negro da história de seu país, ele também foi uma espécie de popstar nos oito anos em que esteve no poder.


Difícil lembrar a última vez que isso aconteceu com um inquilino da Casa Branca. Talvez com Ronald Reagan, que antes de ser político foi ator de sucesso em Hollywood e sabia lidar com as câmeras. Ou com Bill Clinton, que apesar dos escândalos é até hoje um dos ex-Chefes do Executivo favoritos dos americanos.

Mas a verdade é que nunca houve um presidente como Obama, e como o momento também é dele listamos a seguir os 10 motivos pelos quais ele vai deixar saudades, não somente para boa parte dos americanos mas também para muita gente ao redor do mundo.

A oratória


O primeiro grande diferencial da chegada de Obama ao poder após o governo de George W. Bush, que nunca teve muito talento com as palavras, foi a capacidade de se expressar bem. Parte disso se deve ao escritor dos discursos dele, Cody Keenan, mas o próprio Obama deu show em várias ocasiões em que escolheu o improviso em vez do texto pronto. Em um de seus melhores momentos, ele chegou a entoar a canção ''Amazing Grace'', uma espécie de hino não oficial dos Estados Unidos, no funeral do reverendo e senador Clementa Pinckney, assassinado em 2015 durante uma chacina em uma igreja de Charleston, no sudeste americano. A plateia foi ao delírio.

A defesa das mulheres


Obama foi o presidente americano que mais se posicionou favoravelmente aos direitos das mulheres até hoje. Mesmo em questões polêmicas, como o aborto, ele nunca se esquivou de expressar suas opiniões e, por conta disso, em várias ocasiões acabou ganhando mais inimigos do que apoiadores. Em agosto do ano passado, quando completou 55 anos, ele até publicou uma carta na qual se autoproclamou, com orgulho, como o primeiro ocupante da Casa Branca declaradamente feminista. ''É isso que é o feminismo no século 21: a ideia de que quando todos somos iguais, somos também mais livres'', ele escreveu na carta.

O amor declarado por Michelle Obama


O governo de Obama também foi totalmente marcado pela presença da mulher dele, a primeira-dama Michelle Obama. A relação dos dois em público vai totalmente contra qualquer cartilha política: eles trocam carinhos, fazem piadas sobre si mesmos e proclamam sem o menor pudor o amor que sentem um pelo outro. O ''estilo Hollywood'' deles foi um dos pontos altos dos últimos oito anos em Washington. Os críticos do casal até dizem que tanta paixão nada mais é do que uma estratégia para que Michelle seja lançada como candidata à presidência no futuro (ela nega de pés juntos que isso seja verdade). Uma coisa é certa: os dois vão continuar sendo um dos casais que mais rendem notícias por um bom tempo.

A diplomacia nota 10


Poucos presidentes americanos se deram tão bem no universo político internacional. O exemplo maior disso é o estreitamento das relações entre os Estados Unidos e Cuba, fato que Obama considera como um dos maiores marcos de sua administração. Ele também jogou seu charme para políticos da América Latina que, em outras épocas, se declararam contra o ''império ianque''. Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2009 justamente por suas contribuições à diplomacia internacional.

O apoio à comunidade LGBT


Nesse ponto, Obama realmente fez história. Além de liderar os esforços pela legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo nos Estados Unidos, o que ocorreu em 2015, ele nomeou, em 2010, a física e engenheira Amanda Simpson como conselheira do Departamento de Comércio dos Estados Unidos. Foi a primeira vez que uma mulher assumidamente transgênera recebeu um cargo de confiança de um presidente americano. Mais recentemente, em novembro, Obama também homenageou Elle DeGeneres, uma das maiores vozes da comunidade LGBT dos Estados Unidos, com a Medalha da Liberdade, a mais alta condecoração civil do país.

O gabinete mais diverso da história


Para ser justo, a comunidade LGBT não foi a única minoria que teve destaque no governo de Obama. O gabinete dele foi, de maneira geral, o mais diverso de todos os tempos. Mais da metade (53,5%) dos cargos de confiança da administração Obama foram para mulheres e membros de minorias. Para efeito de comparação, no governo de George W. Bush esses grupos conquistaram apenas 25,6% dos cargos de confiança. Ele também nomeou Loretta Lynch como Procuradora-Geral dos Estados Unidos, a primeira mulher negra na função, e indicou Sonia Sotomayor para a Suprema Corte, tornando ela a primeira hispânica a fazer parte da instituição.

As aparições na TV


Ao longo de oito anos de governo, Obama trabalhou muito, e os cabelos brancos dele estão aí para comprovar isso. Mas, entre um compromisso e outro, ele sempre arranjou tempo para visitar os principais talk-shows da TV americana, algo que outros presidentes americanos costumavam fazer. E como é pop, Obama nunca decepcionava o público em suas aparições: ele dançou no programa de Ellen DeGeneres, leu tuítes que falavam mal dele próprio no programa de Jimmy Kimmel, fez uma paródia musical com notícias do momento ao lado de Jimmy Fallon e até substituiu Stephen Colbert em um de seus monólogos depois que o comediante declarou que nenhum político seria capaz de fazer o trabalho dele. Não é para qualquer um.

O talento com as crianças


Chefes de estado são homens sisudos cheios de problemas para resolver e que não têm tempo para brincadeiras. Certo? Não no caso de Obama, que recebeu várias crianças na Casa Branca ao longo de seu governo, como o youtuber Robert Novak, intérprete do personagem Kid President, e a filha de Ben Rhodes, seu assessor para assuntos de segurança, com quem brincou no Salão Oval. Um dos momentos de bastidores mais marcantes dele, no entanto, é de 2009, quando um garoto negro de 5 anos visitou a residência oficial e pediu para que Obama deixasse ele tocar seu cabelo, para ver se era parecido com o dele. Pedido feito e prontamente atendido, por sinal. O clique do momento é um dos poucos porta-retratos presentes na mesa de trabalho dele.

Ele também erra no figurino


Nem Obama consegue ser cool em todos os momentos. A prova disso é o pedido feito a ele em 2009, pelo jornal ''The New York Times'', que sugeriu ao ocupante do cargo mais importante dos Estados Unidos a contratação urgente de um personal shopper. Tudo por conta das calças jeans para lá de largas que ele costuma usar, e que se tornaram motivo de piada desde então. Ainda no clima gente como a gente, Obama também é fã confesso de ''Game of Thrones'', e nesse caso ele só se diferencia dos milhões de espectadores da série ao redor do mundo porque costuma assistir as novas temporadas da atração antes de todo mundo. Resta saber se ele vai manter o privilégio quando deixar a presidência…

Ele acredita no potencial do Brasil


Em julho de 2015, na Casa Branca, durante uma visita de estado da ex-presidente Dilma Rousseff, Obama disse com todas as letras que via o Brasil como ''uma potência global'', algo que não se ouve todo dia de um presidente americano. Mais recentemente, já em meio à crise político e econômica vivida pelo país, ele também declarou acreditar que as instituições democráticas brasileiras são fortes e que os problemas do momento serão resolvidos. Obama esteve no Brasil em 2011, quando passou por Brasília e pelo Rio de Janeiro. Na ocasião, ele defendeu um maior protagonismo do país no cenário mundial e lembrou da mãe, com quem assistiu ''Orfeu Negro'' em 1983. ''Ela jamais imaginaria que minha primeira viagem ao Brasil seria como presidente dos Estados Unidos'', ele disse enquanto passeava pela Cidade de Deus.