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Lula diz que "se necessário" será candidato outra vez

Lula diz que "se necessário" será candidato outra vez


Atualizado em janeiro de 2017


Apesar de não ter sido lançado oficialmente como pré-candidato do PT à Presidência da República nas eleições de 2018, lideranças do partido e do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que participam nesta quarta-feira (11) do 29º Encontro Estadual do MST, em Salvador (BA), afirmaram que Lula é "candidato permanente".

O próprio Lula disse que "se for necessário" vai ser candidato outra vez. "Se preparem, por que se for necessário, vou ser candidato outra vez. Não para disputar, mas para ganhar. E recuperar a autoestima desse país, a economia, a credibilidade", disse.


Ele afirmou ainda que vai percorrer o Brasil para recuperar a imagem do PT. "Eu não vou desonrar minha mãe, pois ela me ensinou a nunca pegar nada de ninguém. Eu ando de cabeça erguida", acrescentou.

Durante o evento, que acontece no Parque de Exposições Agropecuárias, na capital baiana o presidente nacional do MST, João Pedro Stédile, afirmou que ter Lula como candidato à presidência é a vontade do "povo brasileiro". "Aqui está o contingente de militantes que há 30 anos lutam para ver a terra dividida. Nós não precisamos desse evento para lançar o Lula presidente, porque ele é o candidato permanente do povo pobre brasileiro", afirmou.

Stédile disse ainda quer a saída para a crise econômica que o Brasil enfrenta é política e questionou a representatividade do atual presidente Michel Temer. "A burguesia fechou com Temer, mas ele não reapresenta nada, é aprovado apenas por 8% da população", disse.

O presidente do PT, Rui Falcão, no entanto, afirmou "O PT ainda não tomou essa decisão, mas sentimos que é um clamor nacional, dos trabalhadores, de vários campos da sociedade, de que Lula deva ser candidato".

Durante o seu discurso, Lula defendeu o ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, alvo de investigações da Operação Lava Jato. "Quando o indiquei, muitas vezes disseram que ele era incompetentemente, mas ele ajudou a maior capitalização da Petrobras na bolsa de São Paulo e hoje é acusado injustamente", disse.

O ex-presidente disse que a crise na estatal teve início depois de o Brasil descobriu o pré-sal. "A Petrobras descobriu uma das maiores reservas de petróleo no Iraque. Saddam Hussein tomou da Petrobras, os americanos foram lá e invadiram o país com Bush", disse concluindo que a participação do governo americano no que chamou de golpe e da "parceria com [Sérgio] Moro" – juiz federal responsável pelos processos da Lava Jato – precisa ser investigada.

"A bancada do PT tem a obrigação de investigar a participação do governo americano no golpe, em parceria com Moro. O Brasil é independente há 500 anos e não vamos aceitar interferências estrangeiras", disse.

Lula disse ainda que nunca imaginou passar pelo o que está passado. "Eles não estão apenas tentando me criminalizar, mas criminalizar meu governo", lamentou.

A presença do ex-presidente tem o objetivo de unificar bandeiras e aproximar o PT dos movimentos sociais. O PT pretende lançar Lula como candidato a Presidência em 2018.

Ao nomear Lula candidato, o PT tem dois objetivos: reforçar a defesa de Lula, réu em cinco processos. Os defensores da ideia acreditam que, ao se colocar publicamente como candidato, o ex-presidente poderá se blindar parcialmente da força-tarefa em Curitiba. Em segundo lugar, o partido tiraria proveito da baixa popularidade do governo Michel Temer (PMDB).

A pré-candidatura de Lula reforçaria o discurso do PT, que acusa a Operação Lava Jato de querer criminalizar as ações de seu líder máximo e do partido. Das cinco ações penais, três delas partem da Lava Jato, capitaneada pelo juiz federal Sergio Moro. Paralelamente, o ex-presidente também é investigado pela Polícia Federal.