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Dores recorrentes na cabeça podem indicar tumor cerebral; saiba mais sobre a doença

Dores recorrentes na cabeça podem indicar tumor cerebral


O câncer é uma das doenças mais temidas pelas pessoas de todo o mundo. Porém, existem muitos mitos e tabus relacionados a doença. Para amenizar esse cenário de pessimismo da enfermidade, é importante que as informações sejam esclarecidas.

Por exemplo, um fator que muitas pessoas não sabem é que o diagnóstico precoce pode ser decisivo na cura da doença. As chances de cura são maiores quando o diagnóstico é feito no início.


Para desvendar os mitos da doença, o médico neurocirurgião especialista em tumor cerebral Luiz Daniel Celt listou 10 coisas que todos deveriam saber sobre a doença. Confira:

1 – O tumor cerebral, por si só, já é uma doença completamente invasiva e ocasiona mudanças físicas, sociais e psicológicas na vida do portador. Em muitos casos, o tratamento deixa o paciente debilitado, impossibilitado ou limitado para realizar atividades até então consideradas normais em seu cotidiano. Existem vários tipos de tumor cerebrais. O importante é o diagnóstico bem feito para identificar quando é benigno ou maligno.

2 – Os sintomas do tumor cerebral vão depender muito de sua localização, mas, basicamente, são formados por dor de cabeça, tonturas, alterações de equilíbrio, convulsões, déficit neurológico progressivo e confusão mental.

3 – A grande maioria dos tumores cerebrais é oriunda de metástase de um tumor proveniente de outra localização.

4 – Mesmo os tumores cerebrais benignos podem gerar, em um primeiro momento, medo no paciente e seus familiares, uma vez que seus sintomas são bem similares aos de um tumor cerebral maligno.

5 – Apesar de ser o ''centro de controle'' de todo o corpo, a manipulação do tecido cerebral não causa dor.

6 – Embora o percentual de prevalência não seja tão grande – incapacidade e índice de mortalidade –, são importantes os alertas à população para a necessidade de um diagnóstico precoce, principalmente porque seus sintomas, em sua maioria, se confundem com os de outras doenças.

7 – Ao sentir sintomas recorrentes, o paciente deve procurar um clínico geral ou neurologista, que pode encaminhá-lo a um neurocirurgião especialista em tumor cerebral.

8 – A automedicação, além de mascarar e dificultar o diagnóstico do tumor cerebral, pode comprometer o prognóstico.

9 – Em princípio, todos os tumores cerebrais podem ser tratados cirurgicamente, mesmo os benignos, cuja remoção completa poderá levar a cura da doença. Hoje, com o avanço da medicina, a neurocirurgia é realizada inclusive com cálculos físicos e matemáticos, que diminuem as chances de danos em outras áreas do cérebro.

10 – A cirurgia com o paciente acordado, conhecida entre os especialistas como 'awake craniotomy', permite que o cirurgião tenha a localização em tempo real de regiões funcionais do cérebro, permitindo ainda a preservação destas regiões. É considerada padrão ouro para a identificação das áreas eloquentes, que correspondem às regiões motora, sensitiva e de linguagem.

A técnica apresenta excelentes resultados, sobretudo no que diz respeito à qualidade de vida, menor tempo de internação, retorno às atividades cotidianas do paciente e o controle das recidivas tumorais.

Apesar de complexa, a 'Awake Craniotomy' é bastante utilizada em todo mundo há mais de duas décadas para os casos de ressecção (remoção) de tumores cerebrais. No Brasil, a cirurgia é realizada há quase 10 anos.

O procedimento permite o controle da ressecção do tumor, com retirada maior sem comprometer uma determinada função cerebral e menor déficit pós-operatório. Há incidência de maior controle do tumor quanto maior for sua retirada e, ao mesmo tempo, são maiores as chances de postergar as recidivas. O grande diferencial deste procedimento é que o neurocirurgião consegue identificar as áreas eloquentes – motora, sensitiva ou de linguagem – e atingidas pelo tumor.